O sucesso do guitar hero reside em sua jogabilidade, nos diversos modos de jogo, e na escolha do repertório que contempla “cânones” do rock como Deep Purple e Black Sabbath,, Metallica, Cream, Aerosmith e outros. O repertório é variado, indo do punk rock ao heavy metal. Os botões devem ser acionados de acordo com as variações da música em relação ao tempo e duração das notas. É possível adicionar expressões que não estão na música original, como vibratos de alavanca e controle de sustain. A equalização das músicas é feita de maneira que a guitarra fique com o som um pouco mais alto e mais destacado entre os outros instrumentos, diferente da mixagem original. Além disso, quando o jogador comete um erro de execução, o personagem erra a música. Isso dá ao jogador a sensação de realmente estar tocando a música. O modo de jogo “carreer”, em que o jogador monta uma banda, ganha dinheiro pelas apresentações, permite que o jogador customize seu personagem e salve seu progresso, e para vencer o jogo, tem que duelar com guitarristas famosos como Slash e Tom Morello. São esses os principais elementos que fazem do Guitar Hero, uma febre mundial. Este jogo tem função de entretenimento e não tem nenhuma pretensão acerca da educação musical. No entanto, o game tem despertado nos jovens, um interesse em tocar guitarra, baixo ou bateria. Como professor de guitarra e prática de conjunto posso destacar alguns prós e contras em relação a jogo. O jogo, além de despertar o interesse ela música, apresenta aos jovens um grande repertório, não somente útil, mas essencial para o aprendizado da guitarra. Os alunos que jogam guitar hero tendem a ter maior consciência dos elementos que compões as músicas, além de um maior conhecimento sobre partes de guitarra nas músicas que fazem parte do repertório do jogo. O jogo ainda apresenta uma relação de nível de dificuldade de execução das músicas do jogo. A dificuldade progressiva do jogo é de certa forma coerente, em relação à dificuldade de execução das músicas no instrumento real, o que dá ao aluno uma certa noção de quais são as músicas mais fáceis e quais são as mais difíceis de executar. É possível como professor, citar exemplos do guitar hero, e fazer analogias a respeito de sua execução, sobretudo com os alunos mais jovens. A execução dos riffs de guitarra no jogo, é feita através do acionamento dos botões em relação ao tempo da música, portanto é possível relacionar isto ao tempo de execução mecânica dos mesmos riffs na guitarra, e através disso explicar conceitos de tempo, contratempo, pausas e figuras rítmicas presentes na música. Muitos alunos se sentem estimulados quando conseguem executar na guitarra, alguma música que conheceram através do jogo. O problema é que o jogo não mostra o personagem estudando horas por dia, e não dá a noção do verdadeiro custo financeiro de tocar um instrumento, criando a ilusão de que é tão fácil tocar quanto jogar. Com isso, muitos alunos se decepcionam quando percebem que tocar um instrumento exige muito mais tempo e dedicação do que ser um campeão de guitar hero. Também costumam se decepcionar com o timbre de suas guitarras baratas e amplificadores de 10 watts, equipamentos iniciantes adquiridos por seus pais, que são muito diferentes dos timbres de alta qualidade apresentados no jogo, gravados com os melhores equipamentos e nos melhores estúdios do mundo. Com relação ao equipamento, procuro explicar aos alunos essa diferença de timbres, apresentando equipamentos de custo não tão elevados que podem proporcionar um timbre bem parecido. No entanto, estes equipamentos serão adquiridos de maneira similar ao modo de jogo “carrer”, onde o jogador ganha dinheiro de acordo com a qualidade de sua performance. Procuro explicar que seus pais já gastaram no mínimo seiscentos reais em seu equipamento básico, além de pagar a mensalidade de suas aulas de música. Este é um voto de confiança que deve ser correspondido com dedicação e disciplina: quanto mais ele estudar, melhor ele vai tocar e, mais seus pais irão investir em seu equipamento, e assim, seu som pode assim chegar a ser igual, ou até melhor que o som dos ídolos do guitar hero. É o que acontece quando o jogador vence o jogo. Na vida real o jogo é muito mais longo, porém muito divertido. Cito exemplos de alunos que já passaram pela fase inicial e conseguiram melhorar seu equipamento e seu som através da dedicação e estudos, chegando a uma sonoridade tão boa quanto de alguns ídolos, mas que ainda tem que passar mais algumas fases. Em oito anos de profissão, percebo que depois do lançamento do guitar hero, houve um aumento do número de alunos com idade entre 9 e 16 anos. Parece lógico que quanto mais cedo o adolescente começar a tocar, maior a probabilidade de que se torne um bom músico, profissional ou amador, mas de melhor qualidade. O guitar hero faz parte da realidade desta geração, que vive sua adolescência em meio à revolução eletrônica atual e pode sim, ser utilizado como recurso para auxiliar na educação musical destes jovens. Cabe aos professores, utilizar estes recursos da melhor maneira possível para contribuir para a educação destes adolescentes.
Ruan de Castro
