domingo, 1 de agosto de 2010

Coisas para a vida toda...

Black Cherry - American Tango ao vivo na Aldeia Velha



Do dia 9 ao dia 25 de Julho o trio curitibano de música instrumental, Black Cherry esteve em Cuiabá e Chapada do Guimarães - MT de férias, mas a trabalho! O trio fez dez sessões de gravação ao vivo em bares, cafés e festas nas fogueiras.  Apresento aqui o "Diario gravações" da Banda nesta viagem.

Sexta 09-07 - Cuiabá 
Na primeira noite em Cuiabá  foram gravadas seis músicas em pocket show para amigos e familia. Depois de 27 horas de viagem o trio ainda teve energia para tocar e "festar" até de madrugada.

Sábado 10-07 - Chapada dos Guimarães
 No seu primeiro dia em Chapada dos Guimarães o trio registrou 11 músicas ao vivo na praça Dom Wunibaldo,  com o apoio da cooperativa de artesãos da cidade: "Chapada a mão".

Domingo 11-07 Festa na fogueira - Santa Rosa 
Em um agradável happy hour na fogueira da Santa Rosa no bairro da Aldeia Velha foram registradas mais 9 músicas. Infelizmente um dos CD's não pode ser finalizado porque alguém tropeçou no cabo de força, desligando a energia elétrica. Acontece...

Terça 13-07 Casa da mãe 
Em sessão fechada na casa da mãe foram registradas mais três música: Agua da Chuva que é uma composição própria; American Tango e Badia, composições do grupo Weather Report, a grande inspiração musical da banda.

Quarta 14-07- Chapada dos Guimarães - Café Pomodori
O trio participou de uma "gig" com o baixista cuiabano Fidel e seu quarteto de metais. Mesmo sem ensaio a galera conseguiu se entender e o público presente pôde curtir uma bela noite de jazz e fusion que aconteceu no Café Pomodori.

Sábado17-07  Salão Paroquial -Aldeia Velha
o trio se apresentou no salão paroquial da igreja da Aldeia velha. Com muito frio e neblina a banda fez uma grande fogueira e gravou 12 músicas. Quem enfrentou o frio viu uma das melhores apresentações desta turnê. Destaque para as execuções psicodélicas do medley Them belly full (Bob Marley), Bimoya (Joe Zawinul) e O Ronco da Cuíca (João Bosco); e das músicas Mysterious Traveller e American Tango (ambas do Weather Report).

Domingo 18-07 - Fogueira na Sibele
No domingo o frio se foi e montamos o equipamento na casa da Sibele, que tem um "pé" de Black Cherry plantado em seu quintal. Resultado: fogueira, um bom vinho e ensaio aberto para os amigos...

Quinta 22-07 - Fogueira na Santa Rosa
Mais um ensaio aberto para os amigos é registrado na fogueira do Santa Rosa. Obviamente o ensaio virou mais uma festa que foi até tarde da noite...

Sexta 23 - 07 - Ja Café - Aldeia Velha
Um dos melhores shows do trio. Registrado em um lugar maravilhoso e aconchegante com mesas cadeiras bancos e redes. É impossível não se sentir em casa. Esta noite foi muito especial pelo ambiente criado pela exposição "Meu Lugar no Mundo" da artista plástica Regina Pena, o caldeirão de caldo com fogo de lenha, a energia boa do lugar e do público que se mostrou muito receptivo e interessado em arte e na música instrumental. Agradecemos o nosso amigo João e Alda Regina , proprietários do Ja café pela hospitalidade e pela qualidade do proposta que este casal levou à Chapada dos Guimarães, com o Ja Café: um ponto de encontro, de apoio e de fomento à cultura em um ambiente extremamente agradável, rústico e refinado ao mesmo tempo. Mais... http://www.diariodecuiaba.com.br/detalhe.php?cod=375605

Sábado 24-07 - Clube de esquina - Cuiabá
Foi a melhor performance da banda em uma noite com muito groove, fusion, e rock n' roll. Participaram como convidados deste show o saxofonista cuiabano Tom Deja Vitte e os gêmeos, lendas do rock cuiabano Marcos  e Marcio Borges, fundadores da banda Lynhas de Montagem, tocando clássicos do Rock como Led Zepellin, Jimmi HEndrix e The Doors.


Queremos agradecer a todos que de alguma forma participaram apoiando a banda, dando hospedagem, ajudando no transporte, nos levando para as cachoeiras, acompanhando a banda em ensaios,  assistindo as gravações, curtindo o som e comemorando com o Black Cherry. Obrigado a todos.


domingo, 16 de maio de 2010

Breve reflexão sobre arte e criação...


Em tempos remotos, o artista era o artesão. O carpinteiro. O homem capaz de recriar a cadeira. Digo recriar, pois segundo Platão a tal cadeira e todas as coisas fabricadas pelo homem, a priori estavam lá... No mundo das idéias. O artesão precisava apenas construir a cadeira que melhor funcionasse, mas, que mal haveria se fosse uma bela cadeira? Neste momento ele se torna o artista. A essência da arte é a criação. É a “materialização” da subjetividade humana. É o momento em que Beethoven criou o motivo rítmico mais marcante da história para sua Quinta Sinfonia. É a angústia de Munch em sua obra mais conhecida "O grito", e é a melodia que surge no improviso do jazz. Escolher cores para uma tela; escolher as notas e a duração de cada uma delas para criar melodias ou as palavras para escrever belas poesias. O momento da criação tem mesmo algo de divino, mas é acima de tudo uma experiência humana. O que precisa ser contado também é que os artistas têm que estudar, adquirir técnica e conhecer o que estão fazendo para construir a sua obra. O que Beethoven faria com sua idéia rítmica se nunca tivesse visto um piano? Munch certamente não pintaria "O grito" se nunca tivesse estudado pintura.  O artesão sem técnica e ferramentas, jamais criaria sua própria cadeira. A arte não é feita apenas com talento, mas também com muito estudo, trabalho e dedicação.

Ruan de Castro

O Fetichismo na música e a regressão da audição

No artigo "O Fetichismo na música e a regressão da audição" de 1938, Adorno faz uma crítica às transformações sofridas pela música quanto aos seus meios de produção, de difusão, filosofia e finalidade, em um contexto social de crescimento do capitalismo e da industria cultural. Adorno critica a massificação da cultura através da padronização de elementos formais. O autor traça uma linha que separa o que ele chama de “música séria” a música erudita, e “música ligeira” a música comercial e "industrializada". O fato observado por Adorno é que a industria da cultura de massa promove uma formatação musical com finalidade comercial, o que segundo o autor, torna a música descartável, promovendo a decadência do gosto e a regressão da audição. Alem disso, a música como produto vendável torna-se um fetiche para a sociedade consumista. Suas maiores críticas são contra o jazz, que neste contexto é a música que domina as rádios e que segundo ele, seria uma música adequada para um salão de festas, mas jamais poderia ser apreciada como uma sinfonia. Os arranjadores dessas músicas "instantâneas", cometeriam diversos “erros” do ponto de vista da teoria musical erudita considerando seus padrões de arranjo e orquestração. Segundo Adorno, a padronização dos arranjos neutraliza o gosto do ouvinte. A música de três minutos tem efeito momentâneo, logo é substituída por outra e a música cada vez mais torna-se pano de fundo para outras ações. O que Adorno descreve como a regressão da audição é a incapacidade de parar para ouvir e prestar atenção em uma música. A música formatada exime o ouvinte e o compositor de responsabilidade por que a “música ligeira” é destituída de significados, tendo apenas finalidade comercial. O que adorno condenava em 1938, foi designado recentemente pelo termo “enlatados”, que significa “música formatada que atende a demanda da indústria cultural de massa”. De fato, as observações de Adorno fazem sentido ao observarmos a evolução da industria cultural. O rádio, ainda hoje é principal meio de comunicação de massa, condenado por Adorno por difundir o jazz em detrimento da música erudita.O Rádio foi o principal meio de difusão da música popular no mundo todo ao longo do século XX.  Sua trajetória está inserida e subordinada à sua conjectura social. Um exemplo disso é a censura à produção artística que ocorreu no Brasil durante o período ditatorial, onde as rádios não somente eram censuradas, mas foram instrumentos de manipulação da opinião pública e de outras relações sociais. Adorno previa que a comercialização da música, levaria à um ciclo de produção em que a música teria mais objetivos comerciais do que propriamente artísticos. 

No Brasil, um exemplo de sucesso comercial é o grupo “É o tchan”. O esquema da pesquisadora Mônica Leme no livro “Que Tchan é esse?”, explica o panorama em que o grupo “É o tchan” alcança enorme sucesso no Brasil na década de 90. O esquema mostra que o grupo se enquadra em uma lógica de produção que enfatiza o estilo em detrimento do conteúdo, sendo movido pela fabricação de imagens e signos como atrativo para o consumo do produto musical. Utiliza intesamente os meios de comunicação disponíveis para sua difusão. A televisão é responsável pela transmissão da imagem do grupo que apresenta dançarinas com pouca roupa executando coreografias de conotação sexual. As letras das músicas são formadas por versos de duplo sentido, também com conotação sexual, permitida e aceita pela sociedade em um momento político de ideologia liberal. O esquema ainda apresenta este tipo de composição teria como sua Matriz cultural, a vertente maliciosa do lundu. O que Adorno criticava, é o que impera no contexto social dos anos 80 e 90 no Brasil em relação ao mercado e a industria cultural. A música do grupo “É o Tchan” é feita para ser vendida. É produzida nos formatos industriais com duração de três minutos para CDs, shows e videoclipes. O grupo cumpre os rituais da indústria se apresentando em programas de rádio e televisão, martelando na cabeça dos ouvintes a chamada “música de trabalho”; para qual se move exclusivamente toda uma estrutura de divulgação desta música que logo será substituída por outra nos mesmos moldes. O que Adorno descreve como regressão da audição e degeneração do gosto, produzidos pela indústria cultural, e a forma como descreve em seu texto o ouvinte “moderno” em relação ao jazz, pode ser identificada na forma de recepção das músicas do grupo “É o Tchan” como:  repetição de clichês de música para carnaval, repetição de elementos rítmicos, das melodias, dos tipos de escalas, das seqüências harmônicas e do formato musical utilizado. A regressão da audição seria decorrente da padronização do "produto" exigida pelo mercado. Esta forma de trabalho tem configurado a música popular do século XX nos países capitalistas. E não há como discordar... em qualquer gênero musical, existem elementos padronizados que se repetem e os identificam, e que possibilitam serem rotulados e colocados em uma prateleira.



Ruan de Castro


* Theodor Ludwig Wiesengrund-Adorno foi um dos mais importantes pensadores do século XX. Filósofo, sociólogo, musicólogo e compositor, Adorno é um dos expoentes da chamada Escola de Frankfurt.

quinta-feira, 18 de março de 2010

REFLEXÃO SOBRE O GUITAR HERO


O sucesso do guitar hero reside em sua jogabilidade, nos diversos modos de jogo, e na escolha do repertório que contempla “cânones” do rock como Deep Purple e Black Sabbath,, Metallica, Cream, Aerosmith e outros. O repertório é variado, indo do punk rock ao heavy metal. Os botões devem ser acionados de acordo com as variações da música em relação ao tempo e duração das notas. É possível adicionar expressões que não estão na música original, como vibratos de alavanca e controle de sustain. A equalização das músicas é feita de maneira que a guitarra fique com o som um pouco mais alto e mais destacado entre os outros instrumentos, diferente da mixagem original. Além disso, quando o jogador comete um erro de execução, o personagem erra a música. Isso dá ao jogador a sensação de realmente estar tocando a música.  O modo de jogo “carreer”, em que o jogador monta uma banda, ganha dinheiro pelas apresentações, permite que o jogador customize seu personagem e salve seu progresso, e para vencer o jogo, tem que duelar com guitarristas famosos como Slash e Tom Morello. São esses os principais elementos que fazem do Guitar Hero, uma febre mundial. Este jogo tem função de entretenimento e não tem nenhuma pretensão acerca da educação musical. No entanto, o game tem despertado nos jovens, um interesse em tocar guitarra, baixo ou bateria. Como professor de guitarra e prática de conjunto posso destacar alguns prós e contras em relação a jogo. O jogo, além de despertar o interesse ela música, apresenta aos jovens um grande repertório, não somente útil, mas essencial para o aprendizado da guitarra. Os alunos que jogam guitar hero tendem a ter maior consciência dos elementos que compões as músicas, além de um maior conhecimento sobre partes de guitarra nas músicas que fazem parte do repertório do jogo. O jogo ainda apresenta uma relação de nível de dificuldade de execução das músicas do jogo. A dificuldade progressiva do jogo é de certa forma coerente, em relação à dificuldade de execução das músicas no instrumento real, o que dá ao aluno uma certa noção de quais são as músicas mais fáceis e quais são as mais difíceis de executar. É possível como professor, citar exemplos do guitar hero, e fazer analogias a respeito de sua execução, sobretudo com os alunos mais jovens. A execução dos riffs de guitarra no jogo, é feita através do acionamento dos botões em relação ao tempo da música, portanto é possível relacionar isto ao tempo de execução mecânica dos mesmos riffs na guitarra, e através disso explicar conceitos de tempo, contratempo, pausas e figuras rítmicas presentes na música. Muitos alunos se sentem estimulados quando conseguem executar na guitarra, alguma música que conheceram através do jogo. O problema é que o jogo não mostra o personagem estudando horas por dia, e não dá a noção do verdadeiro custo financeiro de tocar um instrumento, criando a ilusão de que é tão fácil tocar quanto jogar. Com isso, muitos alunos se decepcionam quando percebem que tocar um instrumento exige muito mais tempo e dedicação do que ser um campeão de guitar hero. Também costumam se decepcionar com o timbre de suas guitarras baratas e amplificadores de 10 watts, equipamentos iniciantes adquiridos por seus pais, que são muito diferentes dos timbres de alta qualidade apresentados no jogo, gravados com os melhores equipamentos e nos melhores estúdios do mundo. Com relação ao equipamento, procuro explicar aos alunos essa diferença de timbres, apresentando equipamentos de custo não tão elevados que podem proporcionar um timbre bem parecido. No entanto, estes equipamentos serão adquiridos de maneira similar ao modo de jogo “carrer”, onde o jogador ganha dinheiro de acordo com a qualidade de sua performance. Procuro explicar que seus pais já gastaram no mínimo seiscentos reais em seu equipamento básico, além de pagar a mensalidade de suas aulas de música. Este é um voto de confiança que deve ser correspondido com dedicação e disciplina: quanto mais ele estudar, melhor ele vai tocar e, mais seus pais irão investir em seu equipamento, e assim, seu som pode assim chegar a ser igual, ou até melhor que o som dos ídolos do guitar hero. É o que acontece quando o jogador vence o jogo. Na vida real o jogo é muito mais longo, porém muito divertido. Cito exemplos de alunos que já passaram pela fase inicial e conseguiram melhorar seu equipamento e seu som através da dedicação e estudos, chegando a uma sonoridade tão boa quanto de alguns ídolos, mas que ainda tem que passar mais algumas fases. Em oito anos de profissão, percebo que depois do lançamento do guitar hero, houve um aumento do número de alunos com idade entre 9 e 16 anos. Parece lógico que quanto mais cedo o adolescente começar a tocar, maior a probabilidade de que se torne um bom músico, profissional ou amador, mas de melhor qualidade. O guitar hero faz parte da realidade desta geração, que vive sua adolescência em meio à revolução eletrônica atual e pode sim, ser utilizado como recurso para auxiliar na educação musical destes jovens. Cabe aos professores, utilizar estes recursos da melhor maneira possível para contribuir para a educação destes adolescentes.
Ruan de Castro

terça-feira, 9 de fevereiro de 2010

MADAME SALOMÉ - O CONCERTO

Olá amigos. Este é um vídeo da primeira música apresentada no teatro Regina Vogue, no dia 31/01 deste ano. Como não havia verba para produção de um vídeo profissional vou colocar aqui um vídeo gentilmente filmado e postado no You Tube por uma fã (irmã do Tarciso hehe!) Madame Salomé agradece!! Obrigado Fernanda Fialho. Atendendo a alguns pedidos estou postanto a letra completa da música.

O CONCERTO - Letra e música de Tiago Luz
arranjo - Madame Salomé



Sair pra passear demanhã
Vou buscar o pão
Não é facil andar por ai
Com a espinha enrolada em papel couchê
O que eu queria era um armário embutido
E um comprimido pra passar a dor

Mais um "concerto" no elevador
Mais um calmante em flagrante
Em meu desespero eu grito eu choro
o pranto eu filtro o espasmo é meu... conhecido

Da janela o cachorro vê a rua
E tão próximo a sorrir à árvore insinua
Ah eu queria estar aí
Ah eu queria estar...

Mais um "concerto" no elevador
Mais um calmante em flagrante
Em meu desespero eu bebo eu caio
Eu destruo o teto desse abrigo

É no reflexo que narciso vê a lua
Sua alma no espelho é carne crua
E não pode mais fugir
E não pode mais...

Mais um "concerto" no elevador
Mais um calmante em flagrante
Em meu desespero eu bebo eu caio
Eu destruo o teto desse abrigo



Banda
Nyara Costa - Vocal
Tarciso Fialho - Voz e Violão
Tiago Luz - Voz e Violão
Ruan de Castro - Guitarra
Philipe borba - Baixo
Ian Giller Branco - Bateria